Entidades de classe questionam “Parceiros do RJ”

Entidades de defesa da classe jornalística iniciaram uma verdadeira frente de batalha contra o projeto Parceiros do RJ, quadro do telejornal RJ TV, da Rede Globo. Segundo os defensores da causa a emissora carioca está utilizando-se de mão de obra barata para substituir os jornalistas profissionais e, com isso, sucateando a profissão.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) e a Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado do Rio de Janeiro (Arfoc) enviaram carta à Globo exigindo que um pré-acordo feito com a emissora – no qual ficou estabelecido que a rede televisiva somente veicularia depoimentos de moradores de comunidades carentes, mas não usaria os mesmos como repórteres – fosse cumprido.

O protesto das representações sindicais ocorre, sobretudo, em razão de uma reportagem do projeto que dura quatro minutos, e, na concepção das entidades, contradiz o acordo.

“Um exemplo gritante de que a TV Globo prometeu uma coisa e fez outra”, critica a carta, “é a matéria que foi ao ar no dia 25 de abril último, segunda-feira, no RJTV 1ª Edição sobre o aniversário de 131 anos do Instituto de Educação, na Tijuca”, diz trecho da carta enviada na tarde desta sexta-feira (29).

“(…) percebemos que está acontecendo exatamente aquilo que o Sindicato e muitos jornalistas temiam: repórteres e repórteres cinematográficos estão sendo substituídos por jovens inexperientes submetidos a um rápido treinamento, e a baixo custo, numa precarização inadmissível do mercado de trabalho”, ressalta o manifesto.

Segundo o site Portal Imprensa esta não é a primeira vez que um profissional de outra incumbência faz a vez de um jornalista no RJ TV. O site lembra que na época em que o Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro foram invadidos no ano passado, o comentarista e ex-comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Rodrigo Pimentel, também desempenhou a função de repórter. O fato já havia irritado a representação sindical.

“O erro da TV Globo torna-se ainda mais grave porque, ao confundir a figura de um policial com a de repórteres, expõe a riscos ainda maiores os profissionais da imprensa em geral que cobrem a violência na cidade, e não apenas os daquela emissora, tornando-os alvos em potencial de bandidos”, afirmou o sindicato à época.

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