Ainda é possível acreditar

Em matéria datada do dia 19 de maio, o jornalista Antônio Gois, da Folha de S. Paulo, fala sobre a bem-sucedida experiência de uma escola pública do Rio de Janeiro. Com o título Finlândia na Favela, a reportagem do jornal paulista relata o quão próximos são os índices de escolaridade do Ciep Primeiro de Maio – em Santa Cruz, na zona oeste da cidade – e do país europeu. Apesar das precárias condições da comunidade que vive ao redor da instituição municipal, o centro educacional tem sido motivo de orgulho para os cariocas e brasileiros.

“Tudo aqui tem uma má intenção: ensinar”, brinca a diretora Sueli Gaspar. Por todos os cantos da escola, pode-se observar cartazes com lições, regras e textos de motivação. Para as crianças que lá estudam isso pode não ser tudo, mas já é um grande passo para saírem o quanto antes da marginalidade que as assombram já que, no local onde se localiza a instituição de ensino, existem duas favelas conhecidas pelo alto grau de periculosidade.

Para se ter uma ideia de como funciona na prática este exemplo de educação, o Ciep Primeiro de Maio disponibiliza na mesa de cada aluno um adesivo com seu nome em letra de forma. O objetivo, segundo a diretora, é forçar o jovem estudante a ler e, principalmente, se sentir inserido em um contexto. É preciso, desde cedo, estimular a identidade dentro de um grupo para que, mais tarde, estas crianças se tornem adultos responsáveis e conscientes de seus deveres.

Outro aspecto observado e muito elogiado pela reportagem da Folha é a limpeza do Ciep que, com exceção do último andar, que evidencia algumas goteiras, demonstra grande preocupação com a saúde e o bem-estar dos alunos.

“As crianças têm que sentir que estão em um ambiente bonito e alegre. A escola precisa ser diferente para compensar o que eles vivenciam nas comunidades”, explica a diretora se referindo às favelas do Rola e de Antares.

De acordo com professores entrevistados, a grande diferença desta instituição pública de ensino para outras existentes no município é que ali todos trabalham com paixão. Entretanto, a matéria de Antônio Gois vai mais além, e lembra que, motivação não é tudo. Na verdade, o principal diferencial desta escola para outras do Rio e dos demais lugares do Brasil é o projeto pedagógico, seguido à risca pelos responsáveis por gerenciar o Ciep.

Dentre outras coisas, a direção disponibiliza uma cópia do registro de tudo o que acontece durante o ano na biblioteca. Professores registram semanalmente um resumo de tudo o que foi feito dentro de sala de aula. Isso é prestação de contas, coisa que o brasileiro, principalmente nossos representantes nos três poderes, precisam fazer com uma frequência maior que a verificada atualmente.

Na última semana, a Prefeitura do Rio anunciou orgulhosamente que o Ciep Primeiro de Maio é considerado a melhor escola municipal do Rio, com nota 8,1. No Ideb, uma avaliação de abrangência nacional, a nota em 2009 foi 5,9.

O MEC determinou que a nota 6 deve ser a média nacional a ser alcançada até 2022. Esta pontuação equivale a de países desenvolvidos. Na avaliação municipal, a escola superou o patamar da Finlândia (7,5).

Parabéns ao jornal Folha de S. Paulo por deixar possíveis bairrismos de lado e saber evidenciar um aspecto positivo do seu estado vizinho. Que iniciativas como essa possam se proliferar em outros veículos de comunicação acabando de vez com esta rixa que não leva a nada.

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