Cientistas de Harvard associam consumo de carne vermelha a aumento do risco de diabetes do tipo 2

Um estudo realizado pela Escola de Saúde Pública de Harvard, localizada em Boston, e publicado ontem (10/08) no American Journal of Clinical Nutrition revelou que o consumo de carne vermelha pode aumentar o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Esta pesquisa foi considerada a maior já realizada sobre o tema, com cerca de 300 mil pessoas que estão sob observação dos cientistas desde a década de 70. Ainda de acordo com o levantamento, substituir a porção de carne diária por laticínios “magros” e até mesmo grãos integrais reduz o risco.

De acordo com os dados da Escola de Harvard, quem ingere 100 gramas de carne vermelha (um bife) tem 19% mais chances de ter diabetes do tipo 2, na comparação com as pessoas que comem quantidades menores. O estudo mostrou também que as carnes processadas, como o salame e a mortadela, foram consideradas mais prejudiciais, já que 50 gramas diários de salsicha podem elevar as chances de surgimento de diabetes em 51%.

Outra análise feita pelos pesquisadores diz respeito a certas características típicas daqueles que costumam consumir mais carne vermelha. Estes costumam apresentar maior propensão a serem obesos, fumantes e sedentários.

Outro aspecto a ser avaliado é que, mesmo se todos os participantes da pesquisa tivessem o mesmo IMC (índice de massa corpórea) , o consumo de carne continuaria sendo um fator complicador do ponto de vista do desenvolvimento de diabetes do tipo 2.

Dentre as possíveis explicações, o chamado ferro-heme, comum nas carnes vermelhas, causa danos às células beta do pâncreas – responsáveis por produzir a insulina.

O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Airton Golbert – consultado pelo jornal Folha de S. Paulo – ressaltou que a hematocrose – doença que se caracteriza pelo acúmulo de ferro no organismo – pode causar diabetes. De acordo com outros pesquisadores, alguns conservantes encontrados na carne também são tóxicos para as células beta.

“O trabalho é importante para reavaliarmos a ingestão de carne vermelha. Já sabíamos que ela aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Agora, há mais um dado para moderarmos esse consumo”, afirmou Golbert.

Por outro lado, o diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes, o endocrinologista Antonio Carlos Lerario, igualmente consultado pela Folha, fez ressalvas ao estudo norte-americano. Em seu entendimento, a associação do consumo de carne ao diabetes pode ter origem na maior ingestão de gorduras. “Em geral, quem consome carne é um bom comilão, come batata, não gosta muito de peixe e bebe mais”, justificou.

Ainda assim, o endocrinologista fez uma consideração. “Não é para pensar: ‘A partir de hoje, não vou mais comer carne, porque vou ter diabetes’. Não dá para saber se outras fontes de gordura também não aumentam esse risco.”

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