Quadrilha que atuava no Galeão desviou cerca de R$ 150 milhões

Grupo costumava impedir a fiscalização, por parte da alfândega, de mercadorias chegadas do exterior

Na última quinta-feira (01/09), a Polícia Federal, com o auxílio de auditores da Receita, realizou uma verdadeira operação em 39 endereços localizados no Rio de Janeiro, em Brasília e Salvador. O objetivo da ação policial foi investigar informações sobre uma quadrilha que atuava no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio, desde 2009, e seria responsável por lesar a Receita Federal em nada menos que R$ 148 milhões.

Segundo os coordenadores da operação, o grupo costumava impedir a fiscalização, por parte da alfândega, de mercadorias chegadas do exterior, já que contava entre seus membros com servidores da Receita e policiais federais, que tinham por função facilitar a adulteração do processo de entrada de produtos no País.

Consta das investigações que, além de evitar os procedimentos comuns à alfândega, a quadrilha tinha por hábito retirar da fila de fiscalização empresários que chegavam do exterior trazendo bens que deveriam pagar impostos. Como recompensa, os integrantes do bando criminoso recebiam propinas.

Numa outra ponta da operação policial foi visto que produtos, especialmente os artigos de informática, eram enviados pelos correios para endereços fictícios e com declaração de conteúdo diferente do real. Com a utilização corriqueira desta prática era possível identificar a carga, retirada antes mesmo de chegar à fiscalização.

As investigações começaram em 22 de outubro de 2009. Várias mensagens atribuídas ao celular do policial federal Adir Meireles relatavam a entrada ilegal de mercadorias, mas uma, em especial, se destacou: “Amanhã chegará no Delta 061 às 9:19. A pescaria vai ser boa”. O texto fazia alusão a um voo da Delta Airlines, vindo de Nova Iorque. Nas bagagens, foram encontrados equipamentos de informática estimados em R$ 1 milhão.

Embarcaram neste mesmo voo o caminhoneiro Fernando Duarte Santiago Rodrigues – que, de acordo com a Polícia Federal, seria o articulador da quadrilha – e sua esposa, Elizete Rodrigues. Curiosamente, em dois anos, foram registradas 100 viagens internacionais realizadas pelo morador de Teresópolis.

Dados da investigação dão conta de que oito pessoas eram incumbidas de trazer ao País eletrônicos e outros tipos de mercadorias encomendadas. As ações do grupo tinham o apoio das servidoras da Receita, Tânia Mara Seidl e Rosângela Couto. Os produtos só chegavam nos dias em que as duas estavam de plantão. Segundo informações dos responsáveis pela operação deflagrada pela PF, elas receberiam R$ 300 para cada mala desviada da alfândega.

Até o momento, ninguém foi preso. Entretanto, por determinação da Justiça, todos os envolvidos estão proibidos de sair do País.

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