Um novo olhar sobre a arritmia cardíaca

Uma pesquisa publicada ontem (01/09) na Science Translatonal Medicine demonstrou que um novo teste, menos invasivo, pode trazer uma grande contribuição para a detecção do ponto de origem de arritmias cardíacas. É que através deste tipo de exame, segundo a publicação, será possível encontrar com exatidão um dos problemas de saúde mais crônicos ao redor do mundo. De acordo com as estatísticas, as arritmias cardíacas matam 7 milhões de pessoas a cada ano.

No estudo, divulgado pela Science Translatonal Medicine, a técnica, testada em 25 pacientes, é descrita em detalhes. O exame foi batizado como eletrocardiografia ou ECGI. A nova maneira de identificação da origem das arritmias se baseia em uma combinação de informações específicas de tomografias computadorizadas do torso dos pacientes com a gravação de sinais elétricos do coração.

As arritmias cardíacas matam 7 milhões de pessoas, a cada ano, ao redor do mundo

A captação dos estímulos elétricos é feita por meio de um colete com eletrodos capazes de gravar 200 sinais elétricos. Soma-se a isso, a imagem da tomografia que, feita antes do exame propriamente dito, serve para indicar as coordenadas anatômicas. Desta forma, os médicos são capazes de calcular a atividade elétrica na superfície do coração, desenvolvendo assim, um mapa 3D para encontrar o ponto de partida da arritmia. Em mais de 90% dos casos estudados na pesquisa, o exame se mostrou altamente eficaz.

A confirmação dos resultados foi feita por meio de um método usual na medicina contemporânea: o estudo de eletrofisiologia. Através dele, os médicos inserem um cateter pela veia da perna do paciente que se dirige ao coração. O objetivo é avaliar a estrutura interna do órgão.

De acordo com a pesquisa, realizada por estudiosos da Universidade de Washington e da Cleveland Clinic, o novo exame é capaz de mapear detalhadamente todo o processo de atividade cardíaca tão bem quanto o atual uso do cateter. Além disso, as imagens de alta resolução tornam possível uma melhor visualização dos ventrículos. Espera-se agora que a técnica sirva para tornar as cirurgias cardíacas do futuro mais seguras e previsíveis.

Há controvérsias…

Na opinião do cardiologista do Hospital do Coração, entrevistado pelo jornal Folha de S. Paulo, Enrique Pachón, o uso do cateter não pode ser totalmente descartado, pois apresenta vantagens no tratamento das lesões. “Aproveitamos o mesmo momento do diagnóstico para tratar a arritmia, usando pulsos de radiofreqüência”, explica.

Estes pulsos são responsáveis por realizar uma espécie de cauterização das células cardíacas onde se originam as arritmias. “Elas ficam inativas e não vão mais atrapalhar o ritmo cardíaco”, declara Pachón.

Para o médico, o exame tem o seu lado interessante, mas, mesmo assim, é desvantajoso por precisar de tomografia computadorizada, que requer o uso de contraste para formar a imagem. “Pessoas com problemas renais ou hepáticos muitas vezes não podem fazer esse exame”, justifica.

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Uma resposta para Um novo olhar sobre a arritmia cardíaca

  1. Carlos Salles disse:

    As imagens em 3D sem dúvida nenhuma traria uma vantagem sobre o uso do cateter com balão,sem duvida nenhuma.Faz-se o tratamento convencional nos pacientes sensiveis aos contrastes ultilizados,quando nescessário.

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