Primeiro-ministro grego recua ao falar sobre plano de ajuda internacional

Fontes oficiais informaram hoje (03/11) que o primeiro-ministro da Grécia, Giorgos Papandreou, irá retirar a proposta do referendo do plano de ajuda internacional a seu País. A notícia foi confirmada pelo ministro das Finanças, Evangelos Venizelos.

Os esforços mundiais visam garantir o cumprimento do plano europeu de resgate da economia local. O gabinete de Papandreou divulgou em comunicado que o primeiro-ministro está aberto ao diálogo com a oposição.

“Não vamos a um plebiscito, que nunca foi um fim em si mesmo, e saúdo a posição da oposição conservadora que está disposta a ratificar no Parlamento o acordo da cúpula de Bruxelas”, declarou por meio do comunicado.

Papandreou aproveitou para se posicionar de maneira mais enfática sobre o referendo. “Estou satisfeito por não convocarmos uma consulta popular, porque este não era meu propósito”, disse. Para muitos, a decisão do governante grego está diretamente relacionada à resistência que tem encontrado dentro de seu próprio partido.

Numa outra frente de negociações, o primeiro-ministro grego propôs que uma equipe de seu partido – o socialista Pasok – “dialogue com a oposição conservadora”. Giorgos Papandreou acrescentou que ele mesmo irá conversar com o líder opositor Antonis Samaras “para chegarem a um consenso”. Na opinião do premiê, seu País ainda “não saiu do redemoinho”.

E provavelmente não sairá tão cedo no que depender das pressões que Papandreou vem sofrendo nas últimas semanas. Para o ministro da Saúde, Andreas Loverdos – tido por muitos gregos como um dos mais influentes representantes do Pasok – o premiê da Grécia deve renunciar ao cargo caso não esteja certo de que até amanhã (04/11) obterá o apoio de seus aliados parlamentares em uma espécie de voto de confiança. A informação foi veiculada na rede de televisão grega Mega, citando fonte do Conselho de Ministros, realizado em Atenas.

Por outro lado, o ministro do Transporte, Yannis Ragussis, sugeriu um governo de união nacional como antídoto para a crise institucional na qual o País se encontra. Em entrevista no Parlamento de Atenas, o ministro disse que “até agora o sistema político (do país) funcionava sublinhando as diferenças entre partidos”, dando a entender que a solução passa por um pacto entre as legendas presentes na Câmara.

Numa terceira frente, algumas fontes do Pasok revelaram à Agência Efe, em Atenas, que 100 dos 151 deputados socialistas apresentaram a Papandreou uma proposta que visa estabelecer um governo de união nacional, com o objetivo de aprovar o plano de resgate internacional sem a necessidade de uma consulta popular.

A discussão a respeito do referendo se avolumou após, na última quarta-feira (02/11), Papandreou afirmar que a consulta sobre o plano de ajuda financeira já teria até uma data definida. O consulta referendo deveria ocorrer, segundo o primeiro-ministro grego, nos dias 4 ou 5 de dezembro. A declaração de Papandreou foi dada durante a reunião que antecedeu a abertura da cúpula do G20.

Na ocasião, o presidente francês, Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã, Angela Merkel, pediram pressa ao governante da Grécia, solicitando que o referendo fosse feito o “quanto antes”. Na conversa, que teria envolvido os três políticos – que encabeçam as discussões sobre o pacote de ajuda à economia da Grécia – teria sido dado um ultimato ao líder grego para que o País se decida se permanece ou se deixa a zona do euro.

Saiba como a Grécia chegou a este ponto

A Grécia vem enfrentando há algum tempo sérias dificuldades para liquidar suas dívidas e, consequentemente, esta fragilidade econômico-financeira do País tem provocado grande apreensão nos principais mercados mundiais. Apesar de diversos pacotes de ajuste e até mesmo da intervenção estrangeira, o futuro da Grécia ainda está muito longe de um final feliz.

O País tem hoje uma dívida equivalente a cerca de 142% do seu Produto Interno Bruto (PIB), a maior relação entre os países da zona do euro. O volume de dívida supera, em muito, o limite de 60% do PIB estabelecido pelo pacto de estabilidade assinado pela Grécia para fazer parte do euro.

A grave crise financeira é resultado de uma má gestão dos gastos durante a última década. Gastando bem mais do que tinha e pedindo empréstimos frequentes e significativos, a Grécia deixou sua economia refém da crescente dívida. Durante este período, os gastos públicos tiveram forte alta e os salários do funcionalismo praticamente dobraram.

Paralelamente à saída desmedida de capital, a receita grega sofreu grande evasão de impostos – deixando o País totalmente vulnerável quando o mundo foi afetado pela crise de crédito de 2008.

Com a atual escalada da dívida, da qual a economia grega não consegue se desvencilhar, muitos investidores ficaram reticentes em realizar novos empréstimos ao País. Hoje, eles exigem juros bem mais elevados para refinanciarem as dívidas gregas.

No mês de abril de 2010, após a forte pressão externa, o governo grego aceitou um primeiro pacote de ajuda dos países europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI), de € 110 bilhões, ao longo de três anos.

Medidas impopulares

Procurando diminuir os gastos internos e arrecadar mais, o governo da Grécia elaborou um plano de austeridade fiscal que procurou elevar o imposto de valor agregado (IVA), aumentou em 10% os impostos de combustíveis, álcool e tabaco, e ainda, reduziu os salários no setor público. As medidas enfrentaram forte rejeição por parte da população.

Mesmo com os pacotes e os novos planos do governo grego, o País continuou com sérios problemas financeiros. Em meados de 2011, foi aprovado um segundo pacote de ajuda, de cerca de € 109 bilhões, em recursos da União Europeia, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do setor privado.

A contribuição do setor privado foi estimada em € 37 bilhões. Um programa de recompra de dívidas deve somar outros € 12,6 bilhões vindos do setor privado, chegando a cerca de € 50 bilhões.

Em outubro, os líderes da zona do euro fecharam um acordo com os bancos credores, que reduziu em 50% a dívida grega, eliminando o último obstáculo para um ambicioso plano de resposta à crise. Com a nova medida, a dívida da Grécia diminui em € 100 bilhões após a aceitação, pela maior parte dos bancos, de uma diminuição superior a 50% do valor dos títulos da dívida.

No mesmo mês, o país enfrentou violentos protestos nas ruas. A população se revoltou contra um novo plano de cortes, previdência e mais impostos, demissões de funcionários públicos e redução de salários no setor privado, pré-requisito estabelecido pela União Europeia e pelo FMI para liberar uma nova parcela do plano de resgate, de € 8 bilhões.

Muitos servidores públicos acreditam que a crise foi criada por forças externas, como especuladores internacionais e banqueiros da Europa central. Os dois maiores sindicatos do país classificaram as medidas de austeridade como “antipopulares” e “bárbaras”.

Um pesadelo chamado moratória

Como membro da zona do euro, a Grécia enfrenta pressão dos demais membros para colocar suas contas em ordem e evitar a declaração de moratória – o que significaria deixar de pagar os juros das dívidas ou pressionar os credores a aceitar pagamentos menores e perdoar parte da dívida.

O receio da comunidade europeia reside no fato de que, com uma possível moratória grega, países como Irlanda e Portugal – que também passam por sérias dificuldades econômicas – sigam o mesmo caminho. Além disso, agindo desta forma, a Grécia criaria um ambiente propício para o aumento dos custos para empréstimos tomados pelos países menores da UE, sendo que alguns deles já sofrem para manter seus pagamentos em dia.

Giorgos Papandreou irá retirar a proposta do referendo do plano de ajuda internacional à Grécia, segundo fontes oficiais

Com informações do Portal G1, do Terra e do Jornal do Brasil

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