Berlusconi revela que irá renunciar

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, admitiu nesta terça-feira (08/11) que renunciará ao cargo após aprovação da nova lei orçamentária. A medida que influi no Orçamento do País faz parte das exigências dos principais líderes da zona do euro para garantir a estabilidade econômica da Itália mesmo diante de sua enorme dívida e do crescimento estagnado.

A informação já havia sido revelada anteriormente pelo presidente italiano, Giorgio Napolitano. Por meio de nota, a Presidência se pronunciou da seguinte forma: “O chefe do Governo renunciará a seu cargo para que sejam realizadas as consultas necessárias com os partidos políticos para a formação de um novo governo, uma vez que o Parlamento cumpra com esse requisito”. A nota presidencial foi divulgada poucas horas depois de Berlusconi ter perdido sua maioria no Parlamento.

Em meio a uma série de escândalos sexuais, o extravagante magnata da mídia e homem mais poderoso da Itália, vem resistindo como pode em cima de uma verdadeira corda bamba há alguns meses / Imagem - Maxi Rossi - Reuters

Em entrevista por telefone a um dos noticiários televisivos de sua propriedade, o chefe do governo italiano declarou que nestes últimos dias no poder, irá “trabalhar pelo bem do País”. Acrescentando ainda: “Temos que nos preocupar com a situação da Itália, com o que ocorre nos mercados e com o fato de que os mercados não acreditam que a Itália será capaz de aprovar as medidas que a Europa exige”, afirmou Berlusconi.

Mesmo vencendo uma importante votação sobre o Orçamento, o governo de Berlusconi não tem muito o que comemorar do ponto de vista da sua popularidade. O bom resultado só se fez possível graças à abstenção dos opositores. O premiê obteve apenas 308 votos, menos que os 316 votos que representam a maioria absoluta na Câmara dos Deputados.

O líder do principal partido de oposição (PD), Pier Luigi Bersani, imediatamente pediu a saída de Berlusconi, dizendo que a Itália corre o risco real de perder acesso aos mercados financeiros depois que os rendimentos dos bônus governamentais se aproximaram da linha vermelha de 7%.

“Eu peço com toda minha força que você, primeiro-ministro, finalmente leve em consideração a situação… e renuncie”, declarou Bersani logo após a votação.

Segundo especialistas em economia, a grande preocupação da comunidade europeia em relação à Itália reside no fato de que a abrangência econômica deste País é tamanha que, em caso de a crise se agravar, o bloco poderá ter sérios problemas, a exemplo do que já ocorreu e ainda está se desenrolando na Grécia.

A queda do magnata

Em meio a uma série de escândalos sexuais, o extravagante magnata da mídia e homem mais poderoso da Itália, vem resistindo como pode em cima de uma verdadeira corda bamba há alguns meses. Como se já não bastassem as festas estrondosas que costuma bancar, Silvio Berlusconi vem acumulando constantes derrotas políticas e, uma conseqüente, perda de confiança dos mercados internacionais.

A notícia de que o primeiro-ministro italiano resolveu renunciar teve uma repercussão positiva na dinâmica dos mercados financeiros dos Estados Unidos. Na Europa, os mercados estavam fechados e ainda não tiveram tempo de medir o impacto de tal acontecimento.

Mais cedo, Umberto Bossi, um importante aliado de Berlusconi na coalizão e presidente do partido Liga do Norte, pediu que o premiê renunciasse. Bossi disse que Berlusconi deveria ser substituído por Angelino Alfano, secretário do partido PDL.

“Nós pedimos que o primeiro-ministro renuncie”, disse Bossi a jornalistas em frente ao Parlamento.

Antes da votação, Berlusconi afirmava que iria permanecer no cargo e parecia não dar ouvidos àqueles que pediam sua renúncia. Ele ainda contava com a reconquista de um grupo de dissidentes no PDL. A votação, no entanto, mostrou que todos os seus esforços não foram suficientes para amenizar o atual cenário político no qual se encontra.

A ação de Bossi e a votação parlamentar podem ser definitivos contra o premiê, enquanto alertas vermelhos piscam nos mercados de bônus diante da incapacidade da Itália.

Acredita-se que a Liga, junto com muitos membros do PDL, esteja querendo que Berlusconi abra caminho para um novo governo de centro-direita, capaz de combater a crise econômica e restaurar a confiança dos mercados sem passar o poder para um governo de transição.

A oposição de centro-esquerda disse que se absteve para evidenciar a fraqueza no apoio a Berlusconi, permitindo a aprovação de um projeto que é vital para o financiamento do governo.

 

Com informações da AFP, da Reuters, da Veja e do Jornal do Brasil

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