EDITORIAL DO BRASILEIRÃO: Dor de cotovelo é fogo, ou melhor, é Mengo

Um pouco de bom senso não faz mal a ninguém

É impressionante ver como uma parte da torcida flamenguista parece viver num mundo a parte (no final deste texto tem um link do GloboEsporte.com através do qual os leitores entenderão um dos motivos pelo qual resolvi escrever este artigo/manifesto/ou o que quiserem pensar). O outro diz respeito às besteiras que ouvi ao longo do dia de ontem e de hoje.

Se fossem gente civilizada – me refiro aqui a uma parte específica da torcida, não estou falando de todos os rubro-negros – saberiam reconhecer que o Vasco teve um ano muito melhor que o deles, sem precisar de craques no elenco. Diga-se de passagem, com a decisão das posições finais, sabemos muito bem que um pênalti claro de Léo Moura em Bernardo não foi marcado no primeiro turno, no último minuto do jogo, quando o Vasco poderia ter saído com a vitória contra o time da Gávea. Não sou eu que estou falando. Todos os comentaristas de arbitragem falaram sobre isso em alto e bom som. Ontem, só para variar, pênalti claríssimo no Diego Souza – que foi puxado pela camisa – e o mesmo juiz, o senhor Péricles Bassols, fez vista grossa. Mais uma vez, todos os comentaristas de arbitragem e até mesmo narradores falaram que houve a penalidade máxima. Prova de que não estou sendo tendencioso.

Só com os dois pontos de cada provável vitória do Vasco sobre o Flamengo, o Gigante da Colina saltaria para 73 e passaria tranquilamente o Corinthians. Acrescentem a isso, um pênalti não marcado no Allan em São Januário contra o São Paulo. (Tive a oportunidade, ou melhor, o desprazer de ver esse lance de perto) A jogada foi no fim da partida e poderia ter dado a vitória ao Vasco. Enquanto isso, o grande time do Corinthians, que jogava no Pacaembu, ao lado da sua amada Fiel, venceu, a duras penas, o Avaí, lanterna da competição.

Que tal o gol mal anulado do Diego Souza contra o Fluminense, logo no início da partida, que também poderia ter dado uma vitória mais folgada sobre o Fluminense?

E, só para completar, voltando ao “todo poderoso” Corinthians, que não é nem de longe campeão por mérito – o próprio Fluminense, terceiro na classificação, tem mais time – o que dizer daquela dose de sorte quando saiu perdendo do Atlético Mineiro – em pleno Pacaembu lotado – e venceu com grande dificuldade um time que levou de 6 do seu maior rival (Cruzeiro) que lutava para não ser rebaixado.

O mesmo Corinthians fez uma campanha tão sensacional que não teve, nem de longe, o artilheiro do campeonato. Quem é William????? Quem é Paulo André???? Desde quando Julio Cesar, é um dos melhores goleiros do futebol Brasileiro. Méritos sim, para Paulinho, Ralf e Alex. Esses sim, grandes jogadores. Danilo também não comprometeu, mas nunca foi sensacional. Esteve sempre longe da sua grande forma no São Paulo.

Pra não dizerem que estou sendo injusto com o Flamengo e puxando sardinha para o Vasco, Felipe (Flamengo), Jéferson (Botafogo), Fernando Prass (Vasco), Rafael (Santos) e Deola (Palmeiras) são, por exemplo, muitíssimo melhores que o camisa 1 do Timão.

Liédson até jogou direitinho, mas dizer que joga mais que Neymar e Borges (santos), Fred (Fluminense), Éder Luis (Vasco), Loco Abreu (Botafogo) e tantos outros é uma tremenda injustiça. Quem é o tal do Alessandro, lateral direito e capitão da Nação Corintiana?

Na minha opinião, muito pouco perto de Léo Moura (olha eu falando de novo do Flamengo), Fágner (Vasco – o melhor da posição durante o Brasileiro), Mariano (Fluminense) e tantos outros.

Tite????? É um técnico apenas mediano, mas não chega aos pés de um Abel Braga, que fez milagre com um Fluminense que andava com o moral ferido. Se é assim, que tal colocar o técnico do Corinthians para treinar um elenco mais modesto como o do Figueirense ou o do Coritiba? Os dois chegaram muito perto da vaga da Libertadores, mesmo sem estrelismos e esquemas para serem beneficiados. (Ah, não???? O que será André Sanchez, presidente do Timão, assumindo um cargo de chefia na CBF na reta final do Brasileirão?) Na base da estratégia de seus respectivos técnicos e do conjunto do grupo, estas equipes fizeram bonito e orgulharam suas torcidas.

O que dizer do Vasco, que jogou todo o segundo turno sem o grande responsável por sua melhora de rendimento pós Taça Guanabara, Ricardo Gomes? Mesmo sem seu principal homem, Cristóvão Borges soube mexer com o emocional dos jogadores e extrair dos mesmos o seu melhor. O resultado: pudemos verificar em campo. O Vasco jogou sim, o melhor futebol deste campeonato. Digo isso da mesma forma como critiquei os fiascos do time em competições anteriores. E diga-se de passagem: não poupo nas críticas.

O Corinthians foi vice paulista. Não teve competência de frear o Santos – esse sim, um grande time, com um grande técnico. O mesmo Corinthians foi eliminado na Pré-Libertadores por uma time sem expressão no futebol continental, que nem sequer chegou na fase decisiva da Libertadores? De férias e só focando no Paulistão, o que eles conseguiram? O caneco? Não, perderam para um time que se dividiu entre Libertadores e Paulista e teve competência para ganhar os dois títulos. Ah tá!

Esse mesmo Corinthians, tão valorizado por uma mídia especificamente tendenciosa – que pouco exaltou o trabalho de outros grandes clubes no Brasileiro – ganhou a Copa do Brasil? Não, ficou em casa, assistindo um certo Trem Bala encantar todo o Brasil com belíssimas apresentações. Também foi este tal campeão Brasileiro de 2011, que não soube o que é enfrentar em pé de igualdade, um time do porte da Universidad do Chile em uma semi-final de Copa Sulamericana. Diga-se de passagem, o próprio técnico do Universidad disse para quem quisesse ouvir que o Vasco era o melhor do Brasil e que teve mais medo de enfrentá-lo do que o Flamengo, que levou quatro em pleno o Rio de Janeiro. E os flamenguistas ainda saíram do Engenhão ontem como quem tirou o título do Vasco.

Por um acaso, eles ganharam a Copa do Brasil este ano? Eles chegaram as semi-finais de uma competição sulamericana? Eles ficaram com grandes chances de ganhar o Brasileiro e lutaram contra uma máfia de arbitragem que prejudicava especialmente quem estava perto do Corinthians (Vasco e Fluminense)? Eles sabem o que é um time ser eliminado, na mesma semana de duas competições nas quais teria totais condições de ser campeão, sendo vencido pelo cansaço e mesmo assim ter o apoio de uma torcida que não se cansa de valorizar o honroso vice que teve? Uma torcida que sabe sim o que é cair para a Segundona, mas mesmo diante da dor, soube reconduzir o seu time ao devido lugar.

Desta vez, não foi um simples vice carioca, campeonato que os flamenguistas costumam vencer com frequência, talvez por não ser tão difícil. Nesses, o Vasco realmente merece todas as provocações, pois pediu para ser vice de elencos do Flamengo que muitas vezes estavam longe daquilo que o Vasco tinha de material humano. Com equipes bem melhores no papel, o Vasco cansou de perder para a tal Mística Rubro-Negra. Isso existe sim. A torcida deu espetáculo, o Flamengo correspondeu em campo e saiu com MERECIDOS títulos. Mas querer falar desta campanha do Vasco e dizer que é melhor ser 4º que ser vice, me cheira a uma bela dor de cotovelo.

Aliás, por falar em vice, o Flamengo é muito mais vice que o Vasco (40 a 35). Seus torcedores parecem não compreender que não estão em condição de debochar. Estão por baixo e devem admitir. É preciso ter senso crítico. Quando o Flamengo ganhou o Brasileiro de 2009, eu botei a paixão do futebol de lado e soube reconhecer todos os méritos da campanha rubro-negra. O Flamengo estava imbatível e merecia o título. Ninguém merecia mais aquela taça. Conheço até vascaínos que, em nome do futebol do Rio, torceram pelo time da Gávea. Infelizmente, são raros os casos, quando se trata do contrário.

Entretanto, como parecem não ter um bom fair play e não sabem dar a mão à palmatória, os rubro-negros preferem ficar ironizando um time que foi muito melhor que eles durante o ano inteiro. Tá bom, eles possuem mais títulos. Ótimo para sua torcida, ótimo para o futebol do Rio. Pena que muitos flamenguistas não tenham esta consciência de separar a emoção do espírito crítico.

Deveriam parar um pouco de olhar tanto para seus próprios umbigos e verem que não estão por cima. Se classificaram para a Pré-Libertadores. Nem garantidos na competição continental estão e já querem tirar onda, como se diz na gíria.

É importante saber ser humilde e baixar a bola. Parabéns ao Flu, esse sim, foi digno da vaga que conquistou. Comendo pelas beiradas, por muito pouco não lutaram diretamente com o Corinthians para ganhar o que seria um título muito mais justo. Parabéns aos bons momentos que o Botafogo deu a sua torcida. Infelizmente, não chegaram à Libertadores, mas são dignos de todos os elogios por serem, antes de mais nada uma das torcidas mais educadas, senão a mais educada do Rio de Janeiro. Em nenhum momento, atacaram qualquer time carioca. Souberam reconhecer seus erros e não ficaram culpando este ou aquele pelo fracasso na reta final.

Parabéns também aos torcedores do Vasco que deram um show, emocionando pessoas de outras torcidas, ao apoiar o time, mesmo diante da derrota. A grande virtude não é ter dignidade na hora das conquistas, mas na hora das derrotas e, principalmente, saber assimilá-las de modo a não repetir os mesmos erros futuramente. Parece que esta virtude não faz parte do dicionário do sempre irritadinho Renato Abreu. Como se não bastasse a faltas durante o jogo e a merecida expulsão, resolveu peitar o juiz e empurrá-lo. Isso é que eu chamo de um comportamento de perdedor. O time já estava com a vaga para a Libertadores, pra quê todo aquele teatro? Menos, Renato. Bem menos.

Outra coisa: muitos flamenguistas dizem por aí que tiraram o título do Vasco. Como??? Ainda que o Vasco vencesse seu rival carioca, o Palmeiras não conseguiu vencer o Corinthians. Se em São Paulo, o Verdão estivesse batendo o Timão e o Vasco perdendo do Flamengo ou até empatando, aí sim, teriam tirado o título. Poderiam até se vangloriar disso. Aliás, se os rubro-negros se acham tão superiores, por que será que não venceram o Vasquinho (como gostam de se referir)? Ah, já sei Ronaldinho deve estar com a cabeça num certo time da Grécia. Thiago Neves estava muito longe do que vinha jogando no início do ano. Resultado: o time sofreu um apagão. Se eles não jogam, quem joga? Quem resolve????? Muralha??? Sou mais a Muralha da Colina, Fernando Prass.

O Vasco além de todos os outros problemas já citados, teve garra para não desistir e lutar até o fim, mesmo sendo o time com o maior número de contusões em todo o Brasileiro. Felipe – um dos destaques do time – ficou um tempão sem jogar. Juninho entrou quase no meio da competição e ainda teve uma contusão que o afastou por um tempo dos gramados. Alecsandro ficou a maior parte do campeonato no Departamento Médico. Nilton idem. Éder Luis deu azar de sofrer uma contusão séria na hora decisiva. Anderson Martins, o segundo melhor zagueiro do Brasil depois de Dedé, saiu quando estava em sua melhor forma. O Vasco colocou Renato Silva que não decepcionou.

Allan, Rômulo e Jumar souberam crescer de produção ao longo das competições. Jumar e Allan foram pura versatilidade. Jogavam em tudo quanto era posição. Bernardo era sempre uma ótima opção nos momentos difíceis. Além disso, o Vasco tinha Diego Souza e um artilheiro chamado Élton.

O dia que o Corinthians tiver um plantel como este, a Fiel e seu presidente podem vir falar sobre merecimento. Por fala nisso, o mesmo Timão que venceria o campeonato, em caso de empate, pelo número de vitórias, perdeu mais partidas que o Vasco, fez menos gols e ficou com o saldo igual ao do time de São Januário.

É por essas e por outras razões que acho sim, o Vasco foi o campeão moral do Brasileiro. O Fluminense também não fica muito atrás. O Inter chegou a fazer boas partidas. E essa coisa de campeão moral existe sim.

Para mim, a Alemanha e o Uruguai foram muito mais merecedores da final da Copa de 2010 e lá não estiveram por questões de detalhes, mas jogaram um futebol muito mais agradável de se ver e constante durante a competição, se comparados com Holanda e Espanha. Quem teria peito para vencer a badalada seleção da Argentina como a Alemanha? E o Uruguai, que depois de seu quarto lugar, ganhou a Copa América.

Para os flamenguistas fica uma sugestão, pensem bem antes de querer ironizar alguma coisa, pois, pelo menos neste ano, ficaram muito longe de ter um grande time. Têm títulos como o Mundial e o Vasco não? Ponto para eles. Mas isso foi quando mesmo???? Ah, lembrei 1981. Lá se vão 30 anos. Quem vive de passado é museu. Se for assim vou ficar achando motivos para defender este ou aquele time, como o Santos de Pelé, o Botafogo de Garrincha, o Vasco de Belini, Roberto, Edmundo e Romário, o Corinthians de Sócrates e até mesmo o América do Rio que tantas alegrias já deu aos seus torcedores.

É por isso que digo: dor de cotovelo no futebol, só se resolve nas quatro linhas. Mostrem mais futebol e me dêem motivos para aplaudir. Me cobrem, pois vou saber reconhecer o mérito do adversário. Do contrário, olhem primeiro a própria casa para depois falar da casa dos outros.

http://globoesporte.globo.com/platb/meiodecampo/2011/12/05/enquanto-isso-no-rio-de-janeiro/

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Uma resposta para EDITORIAL DO BRASILEIRÃO: Dor de cotovelo é fogo, ou melhor, é Mengo

  1. Gisele Monteiro disse:

    Ótimo texto!!!!! Parabéns!!!!!

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