As ruínas de uma catástrofe

De acordo com informações preliminares, até o momento 19 pessoas estão desaparecidas e, pelo menos, seis estariam feridas

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) do Rio de Janeiro afirmou que duas obras estavam sendo realizadas no prédio de 20 andares que desabou na noite de ontem (25/01), no Centro do Rio. De acordo com informações preliminares, até o momento 19 pessoas estão desaparecidas e, pelo menos, seis estariam feridas.

O acidente, que ocorreu nas imediações do Theatro Municipal – situado próximo a Cinelândia, região de grande movimento da cidade – teria sido responsável por causar o desabamento de outras duas edificações (uma de dez e outra de quatro andares), situadas ao lado do prédio de 20 pavimentos. Testemunhas, que presenciaram a queda dos edifícios da Avenida Treze de Maio, informaram que o desastre aconteceu por volta das 20h30.

De acordo com o presidente do Conselho de Análises e Prevenção de Acidentes do Crea, Luiz Antonio Cosenza, as obras que estavam sendo feitas no prédio de 20 andares eram ilegais, já que não constava, nem para o Conselho de Engenharia e, muito menos para a Prefeitura, qualquer tipo de registro delas. “Duas obras eram realizadas no prédio, no 16º andar. Eram obras ilegais, pois não tinham nenhum registro no Crea. E isso é considerado exercício ilegal”, afirmou.

Na madruga de hoje (26/01), dois fiscais do Crea estiveram no local para realizar vistorias. “Policias e funcionários nos informaram sobre essas obras. No nosso registro (no Crea), não consta nada sobre essas obras. Fica a dúvida: não tinha um profissional responsável pela obra ou, se tinha, não registrou. Vamos levantar quem era o proprietário dessa obra e porque não registrou”, declarou Cosenza.

Ilustração indica local do desabamento / Simulação do Google Maps

Secretário não descarta possibilidade de que obra tenha causado desabamento

O secretário de Defesa Civil do Rio de Janeiro, coronel Sérgio Simões, confirmou as informações referentes às obras que eram feitas no 16º pavimento do maior prédio que desabou. Ainda segundo o secretário, a perícia irá trabalhar, dentre outras linhas de investigação, com a possibilidade de que a obra tenha sido a causadora da catástrofe.

“Realmente há obra pelo relato de um sobrevivente que foi resgatado. Ele era um operário desta obra e foi resgatado de dentro da cabine do elevador. Ele relata que estava efetivamente trabalhando na obra e no momento em que iria sair do elevador, no 6º andar, percebeu que o prédio estava entrando em colapso e, então, voltou pra dentro da cabine e o elevador despencou”, disse o coronel à TV Globo.

O Crea fez questão de lembrar que as estruturas, apesar de antigas, costumam ser firmes devido ao uso da grande quantidade de material resistente e, portanto, acredita ser uma causa externa, o motivo mais provável para justificar o desabamento.

“Eles (os prédios) foram feitos em uma época em que não havia muita economia de material, se gastava material com estrutura, se fazia bem forte mesmo. Talvez alguma causa externa pode ter provocado este desabamento. Salvo algum engano, que pode ocorrer”, afirmou o representante do órgão.

Avenida Treze de Maio está tomada pelos destroços da queda dos três prédios

De acordo com um depoimento dado no início da madruga desta quinta, pelo coronel Sérgio Simões, da Defesa Civil, a chance de localização de sobrevivente entre os escombros dos prédios que ruíram é pequena.

“A gente tem a esperança que tenha se formado um bolsão de ar e que a gente possa encontrar sobrevivente, mas essa possibilidade lamentavelmente é pequena”, revelou Simões.

Dois edifícios – um situado na Rua Manuel de Carvalho (uma espécie de anexo do Theatro Municipal) e outro que fica na esquina com a Avenida Chile – foram interditados, por questões de segurança.

O coronel Sérgio Simões afirmou ainda que um incêndio ocorreu no local da tragédia em decorrência de uma tubulação de gás que teria se rompido em um dos edifícios. A CEG foi acionada e cortou o fornecimento de gás para a região.

Em entrevista, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, confirmou a existência do sobrado de quatro andares entre as outras duas construções com maior número de pavimentos. Mais cedo, o prefeito também comentou as possíveis causas do desabamento.

Carros que estavam estacionados nas imediações do acidente estão cobertos por camadas espessas de poeira

Prefeito do Rio não crê em explosão de gás

“Aparentemente não foi uma explosão, o desabamento aconteceu por um dano estrutural no prédio. Acredito que não tenha sido vazamento de gás”, disse o prefeito que aproveitou para anunciar ao público a abertura de um posto de informações em frente à agência da Caixa Econômica Federal, localizada na esquina da Avenida Chile com a Rio Branco.

A assessoria do Corpo de Bombeiros afirmou que 60 homens da corporação estão no local do desabamento em busca de possíveis vítimas. O efetivo, enviado de quartéis diferentes da cidade, veio da Barra da Tijuca, do Alto da Boa Vista, de São Cristóvão e do Centro. Além do pessoal que trabalha no resgate, há 14 viaturas entre ambulâncias, caminhões de água e de escada magirus. A Light informou que desligou a luz na região vizinha para evitar incêndios.

De acordo com informações do Centro de Operações da Prefeitura, a Avenida Almirante Barroso, entre a Rua Senador Dantas e Avenida Rio Branco, está interditada, nos dois sentidos. No twitter do Centro de Operações, a Prefeitura faz um alerta: “Atenção, motoristas! Evite a região da Cinelândia, Carioca e Rio Branco para não atrapalhar os trabalhos dos Bombeiros e Defesa Civil”.

Theatro Municipal emitiu nota na qual disse que edificação não sofreu danos estruturais

O Theatro Municipal emitiu nota oficial comunicando que, mesmo diante do caos que se instaurou nas proximidades da construção – que passou recentemente por reformas – o desabamento das três edificações não gerou qualquer tipo de prejuízo ao prédio. A nota também afastou a possibilidade de qualquer espécie de dano estrutural.

A única parte que foi atingida pelos escombros da queda dos edifícios foi a bilheteria, situada no prédio anexo ao teatro. Nenhum funcionário está entre as vítimas.

O Theatro Municipal, em nota oficial, afirmou que nenhum funcionário está entre as vítimas

Cinco corpos já foram encontrados

Até o fim da manhã desta quinta-feira, cinco corpos já foram encontrados em meio aos destroços dos três prédios. Um edifício, localizado na Rua Senador Dantas – imediação próxima à zona atingida pelo desabamento – também foi esvaziado nesta manhã, atendendo ao pedido da Defesa Civil. O prédio de nove andares teria sofrido abalo na estrutura.

O que se sabe até o momento é que três vítimas permanecem internadas no Hospital Souza Aguiar, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com o órgão, a situação mais grave é a de uma mulher, ainda não identificada, que deu entrada com uma lesão no couro cabeludo e precisou passar por uma cirurgia.

Com informações e imagens do Portal G1, Veja, SRZD, Reuters, Band e Portal Terra

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