Sinal de alerta na rede hoteleira brasileira preocupa organização de grandes eventos

Um estudo inédito, divulgado no último dia 28 de fevereiro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou um quadro preocupante na preparação do País para receber dois grandes eventos mundiais como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. De acordo com o levantamento, encomendado pelo Ministério do Turismo, o Brasil poderá enfrentar grandes dificuldades para hospedar todos estrangeiros que devem visitar as sedes da Copa e a própria cidade do Rio de Janeiro, responsável por sediar os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos.

A pesquisa do IBGE considerou todos os leitos duplos e individuais existentes atualmente nas 27 capitais brasileiras. Segundo os números do Instituto todas estas localidades podem hospedar, juntas, 373.673 pessoas. Entretanto, a situação começa a ficar mais crítica na medida em que o estudo se afunila.

Levando em conta somente as 12 cidades que deverão sediar os jogos da Copa do Mundo – Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo – o total cai para apenas 278.138.

A apreensão da rede hoteleira e dos próprios organizadores dos dois mega-eventos não é à toa, pois, se computada, somente a quantidade de estrangeiros aguardados para o Mundial de 2014, o número de turistas deverá chegar a 500, ou até mesmo, 600 mil. Isso sem contar, os próprios brasileiros que irão transitar pelo País para acompanhar as partidas da Copa.

Para deixar o quadro ainda mais alarmante a concentração de leitos é algo evidente. Só a cidade de São Paulo responde quase um quinto de todos os leitos brasileiros (19,7%). Se, juntamente com a capacidade da rede hoteleira paulistana, for considerada a potência do Rio, segunda colocada no ranking, as duas cidades possuem, juntas, 32% dos leitos nacionais.

Mas não só de quantidade vive o dramático painel de hotéis e demais hospedagens turísticas que se apresentam para os visitantes de 2014 e 2016. Há também uma baixa qualidade naquilo que cada estabelecimento do ramo oferece. Segundo o IBGE, 60,8% dos estabelecimentos de hospedagem são das categorias econômica (37,6%) e simples (23,2%). Os hotéis de luxo respondem por 3,5% do número de hotéis e, em seguida, aparecem as categorias superior/muito confortável (11%) e turístico/médio conforto (24,7%).

Jogos Olímpicos também preocupam

Analisando mais especificamente o caso das Olimpíadas do Rio, a cidade possui, no total, 31.594 quartos de hotéis e demais hospedagens. Isso também corresponde a  45.416 leitos. De acordo com a Agência Estado, os Jogos Olímpicos de 2016 já contabilizam algo em torno de 200 mil pessoas cadastradas – entre atletas, imprensa, voluntários e organizadores. O próprio Ministério do Turismo estima que 380 mil turistas vindos de todas as partes do mundo visitarão o Rio durante o período que se estende do início das Olimpíadas até o fim das Paraolimpíadas.

Portadores de necessidades especiais terão poucas opções de hospedagem adaptada durante eventos

Outro ponto negativo levantado pela pesquisa diz respeito aos portadores de necessidades especiais. Segundo o IBGE, o Brasil não estaria preparado para oferecer estabelecimentos devidamente adaptados para pessoas que possuem algum tipo de deficiência física.

Apenas 1,3% dos 5.036 estabelecimentos de hospedagem existentes nas capitais brasileiras declararam possuir unidades adaptadas para pessoas com alguma deficiência física. No Rio de Janeiro, que sediará os Jogos Paraolímpicos, apenas 0,9% dos estabelecimentos (272 entre 31.594) possui unidades adaptadas para pessoas com necessidades especiais. São Paulo também tem apenas 0,9% dos estabelecimentos (511 entre 54.065) com unidades adaptadas. As capitais que possuem os maiores porcentuais de unidades adaptadas são Maceió (3,4%), Teresina (2,8%), Porto Velho (2,5%) e Aracaju (2,5%).

Motéis ajudam a elevar o número de leitos

Ainda segundo o levantamento, divulgado esta semana, dos 373.673 leitos disponíveis nas 27 capitais brasileiras, 36.739 estão dentro de motéis. Apesar de não fazer frente aos leitos de hotéis (mais de 280 mil), o número supera os de flats, pousadas, pensões e albergues. A pesquisa não considera a capacidade de hospedagem nas regiões metropolitanas e municípios presentes nas cercanias das capitais.

De acordo com o estudo, somados os números de leitos em flats (22.627), pensões (4.282) e albergues (5.425) não se chega ao que é verificado em motéis.

 

Com informações de Veja e Época       

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