Dilma e Lula conversam sobre caso Cachoeira e possíveis implicações na governabilidade

Em encontro realizado na última sexta-feira (13/04), a presidente Dilma Rousseff teria pedido ao ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva para que ele tenha cautela ao incentivar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que será instaurada para apurar a relação de políticos com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira – acusado de chefiar uma rede de jogatina ilegal.

Para a presidente, a pior coisa que poderia acontecer seria uma crise de governo oriunda das investigações, já que a partir de agora parlamentares do governo e da oposição usarão suas munições para incriminar seus adversários políticos, independentemente do envolvimento com o contraventor e sua quadrilha ter existido ou não. Nesta fase inicial de avaliações, muita especulação dará o tom das análises. Resta aos parlamentares, à imprensa e à opinião pública saber separar o joio do trigo.

O encontro aconteceu em São Paulo e durou mais de duas horas e meia / Imagem - site do Estado de S. Paulo

Juntamente com o presidente do PT, Rui Falcão, Lula tem sido uma das pessoas que mais tem incentivado o andamento das investigações, já que a oposição se encontra em solo arenoso e, portanto, mais cautelosa. Para os caciques petistas, embora não revelem publicamente, a nova CPI poderá ser a grande chance de revanche do caso mensalão – maior escândalo do governo do PT, ocorrido em 2005.

Apesar de não ter se manifestado publicamente sobre a CPI Cachoeira, há fortes indícios, nos bastidores do poder de que o governo Dilma vê neste caso um forte potencial complicador para futuras negociações, votações e alianças envolvendo seu governo e a bancada oposicionista, o que geraria uma paralisação institucional e o freio na discussão de temas importantes para o País. Para alguns petistas mais comedidos, o temor da presidente é justificável, já que a CPI pode ser usada como trampolim para possíveis vinganças e intrigas políticas.

Essa ideia foi reforçada depois da volta de Dilma dos Estados Unidos. Recados do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e do senador Delcídio Amaral (PT-MS) que chegaram à presidente classificam a CPI como “de alto potencial destrutivo”.

“O alcance dessa CPI é inimaginável. Só a empresa Delta Construções (que aparece nas gravações telefônicas feita pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, e recebeu R$ 4,13 bilhões do governo federal por obras do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC) – está presente em quase todo o País, principalmente na construção e reforma de estradas”, disse o senador Delcídio. “Eu já fiz vários alertas sobre isso. Estão brincando com fogo”, afirmou ainda o senador petista.

Na opinião do presidente do PT, Rui Falcão, a CPI não tem o intuito de inflamar a disputa política entre os partidos, mas deve existir para apurar as possíveis irregularidades administrativas, os tráficos de influências e o mau uso dos recursos públicos.

“A CPI não tem nenhum objetivo de vingança, de acerto de contas. É um instrumento do Congresso para apurar circunstâncias que envolvam agentes políticos, agentes públicos ou privados”, disse Rui Falcão nesta sexta-feira, em Belo Horizonte.

 

Com informações do site do Estado de S. Paulo

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Uma resposta para Dilma e Lula conversam sobre caso Cachoeira e possíveis implicações na governabilidade

  1. Sonia disse:

    Muito boa !!! Eu não sabia !!

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