Collor e Renan: de acusados a julgadores

Collor e Renan Calheiros já são nomes certos para CPI que vai investigar o caso Cachoeira. Detalhe: eles integrarão a bancada julgadora / Imagem: Blog Política Ética

O que pode acontecer quando o ex-presidente Fernando Collor de Mello (atual senador do PTB por Alagoas) e Renan Calheiros, também integrante da base alagoana da Casa se juntam para ocupar o cargo de julgadores da CPI Mista do Congresso que irá investigar o caso Cachoeira? Boa coisa não pode ser. Pelo menos, se levarmos em conta que estas duas figuras políticas já foram alvo de denúncias gravíssimas e, mesmo assim, permanecem no alto escalão da nossa República.

Para os mais esquecidos, Collor, que já ocupou a posição de mandatário da nação, sofreu processo de impeachment na CPI que apurou as ligações perigosas de PC Farias. Renan Calheiros também teve seu momento de “estrela” nos jornais e revistas do País. Em 2007, o político alagoano estava na boca do povo e optou por renunciar à Presidência do Senado objetivando escapar de cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar.

Na nova empreitada da dupla dinâmica, Collor foi indicado pelo líder do partido, Gim Argello (DF) para a vaga da legenda na CPI. Calheiros entra com o status de ser um dos atuais caciques do PMDB.

“Nas duas vagas de titular, vou indicar o Vicentinho Alves pelo PR e o senhor Fernando Afonso pelo PTB. Quando eu o convidei, Collor respondeu: ‘Estou pronto. É missão!’”,  confirmou Gim Argello, às gargalhadas, quando questionado se a ideia então era barbarizar a CPI.

Para o líder do PTB, o Collor de 21 anos atrás, ocasião do impeachment, não existe mais. Na opinião de Argello, o Collor de hoje é um sujeito eleito pelo seu povo e faz um “mandato brilhante e exemplar” como presidente da Comissão de Relações Exteriores.

Em 1992, após uma investigação sobre o esquema de PC Farias – braço direito de Collor – que durou 85 dias, o então presidente da República foi incriminado pela CPI e logo depois afastado pelo impeachment. O mais curioso é que, após ser encaminhado para o Supremo Tribunal Federal (STF), o processo foi arquivado por falta de provas.

“O Collor já conhece uma CPI por dentro e por fora. Ele foi vítima de uma CPI, então sua ida agora para a CPI do Cachoeira pode ser muito bom. Ele vai para ajudar, é um homem muito experiente. Hoje, é um outro Collor. Vai para ajudar e apurar o que precisar ser apurado”, afirmou Gim Argello.

Questionado sobre a indicação do nome de Collor, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que integrou a CPI que incriminou o ex-presidente, preferiu desta vez não entrar em detalhes. “O que penso disso, não vou falar. Só posso dizer que esse é o Senado que temos, isso é a síntese do Senado presidido pelo presidente Sarney. Esse é o quadro. Vamos ver como vai se comportar o Collor no banco dos juízes”, comentou.

A CPI que investigará o caso Carlinhos Cachoeira será composta por 30 titulares, 15 senadores e 15 deputados. Tanto no Senado quanto na Câmara, das 15 vagas, 12 são das legendas aliadas ao governo e três, da oposição.

 

Com informações do jornal O Globo

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