OIT se mostra pessimista em relação ao mercado de trabalho mundial

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) declarou no último domingo (29/04) que a austeridade fiscal e as reformas trabalhistas severas não foram suficientes para criar o número esperado de empregos, levando o mercado mundial de trabalho ao que classificou como uma “situação alarmante”. Ainda segundo a OIT, até o final de 2016, o quadro de empregos não deverá voltar aos níveis pré-crise, nos idos de 2008. A nova previsão da organização ultrapassa em dois anos a estimativa anterior. Este cenário é consequência direta da desaceleração da produção.

De acordo com os dados da OIT, a América Latina vive momento um pouco mais saudável em decorrência das melhorias no Brasil, na Argentina e no México.

O Relatório do Mundo do Trabalho 2012, divulgado pela entidade – pertencente às Nações Unidas – mostra que cerca de 196 milhões de pessoas estavam desempregadas em todo o mundo no fim de 2011. A OIT acredita que, até o fim deste ano, este número irá ultrapassar a casa dos 202 milhões de pessoas. O equivalente a uma taxa de crescimento de 6,1%.

“A austeridade não produziu mais crescimento econômico”, disse Raymond Torres, diretor do Instituto de Estudos Internacionais do Trabalho da OIT, em coletiva de imprensa.

“Nem as reformas mal concebidas do mercado de trabalho podem funcionar no curto prazo. Estas reformas, em situações de crise, tendem a levar a mais destruição de empregos e muito pouca criação de vagas, pelo menos no curto prazo”, afirmou Torres, principal autor do relatório.

Mercado de trabalho só deve voltar aos níveis pré-crise de 2008, no ano de 2016 / Imagem: SRZD

O estudo da OIT apontou ainda para outro fato preocupante. As pessoas que buscam trabalho há bastante tempo enfrentam sérias dificuldades de se reinserirem no mercado. Sabe-se que uma média de 40% dos trabalhadores que estão em seu auge produtivo (25-49 anos) nos países mais desenvolvidos estão desempregados há mais de um ano. Entre os jovens, a taxa de desemprego disparou, aumentando o risco de distúrbios sociais, especialmente em partes da África e do Oriente Médio.

O mercado de trabalho em geral se deteriorou nos últimos seis meses, com uma desaceleração significativa no caso dos países europeus, afirmou Torres. O desemprego está crescendo em um número relevante de países, incluindo mais de dois terços de nações europeias no último ano.

“O foco estreito de muitos países da zona do euro na austeridade fiscal está aprofundando a crise de empregos e pode até levar a outra recessão na Europa”, disse ele. “Ademais, há menos progresso em outras partes do mundo, por exemplo, nos Estados Unidos, onde o avanço na redução do desemprego parece estar diminuindo, e isso parece uma tendência”.

O levantamento constatou que a recuperação do mercado de trabalho no Japão apresentou estagnação. Outros países como China, Índia e Arábia Saudita também sofreram reveses na taxa que mede a empregabilidade.

Apenas seis economias tiveram o que comemorar nos últimos anos, apesar da maré de crise. Países como Áustria, Alemanha, Israel, Luxemburgo, Malta e Polônia apresentaram aumento na taxa de emprego desde 2007.

O relatório também concluiu que os países fariam melhor se incentivassem a qualidade dos empregos e reforçassem suas instituições, ao invés de desregular o mercado de trabalho.

A pesquisa sugeriu ainda um melhor uso dos Fundos Estruturais Europeus e um aumento do salário mínimo nos países europeus como forma de “colocar um piso na recessão europeia”.

 

Com informações da Reuters

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