A França de Hollande

A noite de domingo foi de muita festa nas principais ruas de Paris, na França. Isso porque, após muita apreensão por parte dos eleitores, por volta das 20h (15h de Brasília), o socialista François Hollande – o primeiro a presidir o País nos últimos 17 anos – foi declarado vencedor das eleições presidenciais francesas.

Regada a muita champagne, a festa não deve acabar tão cedo. Neste local, o candidato vitorioso no segundo turno das eleições majoritárias da França, com 51,7% dos votos, é esperado por uma multidão que vê na chegada de Hollande ao poder um momento digno de muita comemoração. O mais novo presidente socialista francês deve assumir o cargo no próximo dia 15 de maio.

Desde o início da apuração dos votos, jovens, idosos, crianças e famílias inteiras aguardavam o resultado das pesquisas de boca de urna na Rue Solférino, próxima à Assembleia Nacional – local onde também se situa a sede do Partido Socialista.

Quanto mais se aproximava a hora do anúncio oficial, maior era a ansiedade da massa de eleitores que, enxergam na ascensão do candidato opositor ao então presidente Nicolas Sarkozy, a esperança de uma França renovada. Para muitos, o novo mandatário da nação terá condições de recuperar a autoestima do País, abalada nos últimos anos pela grave crise que assola a Europa e não livra nem mesmo a cara dos franceses.

François Hollande é o primeiro socialista a chegar à Presidência da França em 17 anos

Depois de muita espera, quando os cronômetros marcavam 19h59min40s, as dezenas de milhares de pessoas iniciaram uma contagem regressiva até visualizar a imagem do socialista – Hollande venceu. “Nós ganhamos! Nós ganhamos!”, foi a frase escolhida para festejar, por longos minutos, enquanto as champagnes eram estouradas e despejadas sobre os militantes.

Outros gritos que também foram dados pela multidão em festa diziam: “François presidente!” e “Sarkozy, c’est fini!” (Sarkozy acabou). Entre muitas comemorações, choros e abraços, os franceses cantaram em uníssono a Marselhesa, o hino local.

Entre os depoimentos colhidos, um, divulgado pelo site do Jornal do Brasil chamou a atenção de muita gente. Zoha Abhetan, uma estudante de origem marroquina, que vive desde os 6 anos no País, desabafou: “Choro porque faz cinco anos que eu me sinto perseguida, humilhada. Esta não era a França”.

A declaração da jovem faz referência a uma das principais marcas do governo conservador de Sarkozy, o cerco à imigração (tanto legal quanto ilegal) e a relação delicada que mantinha com os franceses de origem magrebina, a região do norte da África colonizada pela França no século XIX

Minutos depois de anunciada a vitória, os militantes marcharam orgulhosos e animados pela cidade até a praça da Bastilha, local onde a festa teve prosseguimento. Estima-se que, pelo menos 100 mil pessoas se concentraram na região para aguardar a chegada de François Hollande.

Enquanto o novo presidente não chegava ao local, o público se divertia ao som de muita música. O local da festa da vitória não foi escolhido à toa: a Queda da Bastilha marcou o início da Revolução Francesa, em 1789. Resta saber agora se toda esta confiança depositada pelo povo francês se fará real pelas mãos de Hollande.

Anúncios
Esse post foi publicado em Textos do BH. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s