Lixão de Gramacho encerra atividades e catadores têm futuro incerto

No início de junho o maior aterro sanitário da América Latina, situado em Gramacho, no Rio de Janeiro, foi fechado definitivamente pelo governo. A medida, que vem sendo adiada há algum tempo, não por acaso, coincide com a proximidade da Rio+20 – evento que irá discutir a sustentabilidade do planeta para as próximas décadas.

O depósito, que se situa às margens da Baía de Guanabara e que é o meio de subsistência de 20.000 pessoas, se encontra com o terreno instável e com o peso dos caminhões, é possível sentir a terra tremer nesta região, que anteriormente, já foi um mangue. O lixão de Gramacho, como é popularmente conhecido, foi criado em 1976, no auge do governo militar e, desde então, nunca recebeu a atenção e, consequentemente, o tratamento adequado.

Os danos estruturais começaram a se fazer sentir em 2004, quando uma série de rachaduras apareceram na colina de detritos. O local chegou a receber 8.000 toneladas de lixo diariamente. Era mais um alerta de que a situação estava se complicando para uma cidade com mais de 6 milhões de habitantes.

Não tardou muito para que a Prefeitura do Rio se visse obrigada a fechar o depósito. Entretanto, uma coisa é perceber e a outra é executar. Adiando o quanto pôde uma decisão sobre o assunto, o órgão acabou tendo que definir a situação antes que a conferência ambiental das Nações Unidas, que acontecerá este mês, se deparasse com tamanha sujeira, literalmente.

O fechamento do lixão trará transtornos e incertezas para cerca de 1.700 catadores, que faziam das atividades no local uma espécie de fonte de renda. Centenas de famílias viveram todo o tempo de existência do aterro de Gramacho em meio a 60 milhões de toneladas de lixo. Por outro lado, para outros catadores, o fechamento do local abrirá espaço para um futuro promissor. O motivo do otimismo é que este segundo grupo aproveitou a oportunidade e criou uma cooperativa de reciclagem de lixo.

O depósito, que se situa às margens da Baía de Guanabara e que é o meio de subsistência de 20.000 pessoas, se encontra com o terreno instável / Imagem: Folha

Um ponto que preocupa com o fechamento do aterro é a falta de capacitação profissional e de oportunidades de muitos dos que faziam de Gramacho a sua vida e fonte de renda. Alguns especialistas no assunto acreditam que muitos jovens envolvidos com o tráfico de drogas e que foram trabalhar no lixão para sair da atividade ilícita, agora ficarão sem alternativas.

Vítimas de uma vida sacrificada durante longos anos de trabalho em Gramacho, alguns catadores vão parar de trabalhar a partir de agora. Em função de doenças adquiridas na rampa do aterro sanitário, Pierre Cruz Gonçalves atualmente é paciente renal crônico e há dois meses recebe o auxílio doença do governo.

“Há dois anos faço hemodiálise, mas trabalhei no lixão até março desse ano. Não podia parar enquanto não recebesse o auxílio”, revelou o ex-catador em depoimento ao portal de notícias G1. Segundo Pierre, a doença se manifestou após sucessivas infecções adquiridas ao longo de 14 anos trabalhando e fazendo as refeições no meio do lixo.

Na sexta-feira (1°), os catadores do aterro sanitário de Gramacho começaram a receber o cartão da Caixa Econômica Federal para sacar a indenização de R$ 14 mil. A verba, de R$ 23 milhões, foi dividida entre os 1.603 incluídos na lista entregue pela Associação de Catadores de Gramacho.

O fechamento gradativo do aterro sanitário de Gramacho começou em abril de 2011 e estava programado para terminar em junho deste ano. A prefeitura, no entanto, chegou a antecipar o fechamento para abril, mas depois adiou para maio o fim das atividades no aterro.

Com o fim do aterro de Gramacho, as 8,5 mil toneladas de lixo da cidade do Rio de Janeiro vão para a Central de Tratamento de Resíduos de Seropédica. O restante que vinha de outros municípios vai para a central de Nova Iguaçu e uma a ser inaugurada em Paracambi, todas também na Baixada Fluminense.

 

Com informações da revista Veja, do G1 e do Jornal do Brasil

Anúncios
Esse post foi publicado em Textos do BH. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s