CPMI vota hoje quebra de sigilos dos governadores de GO e do DF

Para tentar fugir da crise, governadores Agnelo Queiroz, do DF (à esquerda) e Marconi Perillo, de GO (à direita) colocaram seus sigilos fiscal, bancário e telefônico à disposição da CPMI / Imagem – Diário de Pernambuco

Nesta quinta-feira (14/06), a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o esquema montado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira irá votar a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico dos governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Ontem (13/06) o governador do Distrito Federal depôs por 10 horas e colocou seus sigilos telefônico, bancário e fiscal à disposição dos parlamentares, numa tentativa de minimizar as críticas que vem sofrendo por suposto envolvimento com a máfia de Cachoeira. A decisão de Agnelo Queiroz forçou Marconi Perillo a seguir o mesmo caminho. Em depoimento na terça-feira (12/06) o governador de Goiás havia afirmado que não via “fundamento jurídico” para a quebra de seus sigilos.

Perillo negou qualquer tipo de envolvimento com a quadrilha do contraventor e as denúncias de enriquecimento ilícito. “O grupo aqui investigado tramou a minha derrubada”, declarou. “Valeu-se de falsas acusações plantadas na imprensa, valeu-se de pessoas que passaram a divulgar mentiras com o objetivo de me desestabilizar e me tirar do governo do Distrito Federal”, completou.

Em sua defesa, Perillo lembrou que o próprio senador Demóstenes Torres (GO), acusado de ter participado ativamente do esquema de Carlinhos Cachoeira, foi um dos que pediu seu impeachment.

Durante todo depoimento, o debate entre governo e oposição se fez presente, mas o relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), tornou a sustentar a tese de que as evidências de participação da organização criminosa no governo goiano são “infinitamente maiores” do que no governo do Distrito Federal. Em sua opinião, o governador Agnelo Queiroz seria uma vítima do esquema criminoso.

Em resposta às críticas de que havia um jogo combinado com Agnelo Queiroz porque os dois são do mesmo partido, Odair alegou que faz todos os questionamentos possíveis, tentando estabelecer os vínculos sociais, políticos e econômicos entre a organização comandada por Cachoeira e o governador do DF. “Os vínculos são muito diferentes do que ocorreram em Goiás. Agnelo nunca esteve com Cachoeira nem há nenhuma ligação telefônica entre os dois”, ressaltou o relator.

Em sua defesa, Agnelo também pôs em debate a possível ligação de integrantes de seu governo com o esquema do bicheiro. “Se ele [Cachoeira] tinha acesso direto ao governador, por que precisaria corromper funcionários de órgãos do governo para conseguir favorecimento em contratos?”, questionou.

O governador destacou que o único contato que teria tido com Cachoeira foi uma visita a uma empresa de medicamentos do contraventor situada em Anápolis (GO), quando Agnelo ocupava o posto de diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entre 2007 e 2010.

“Eu fiz uma visita à Vitapan, que era de propriedade do senhor Cachoeira, e na oportunidade ele estava presente”, disse Agnelo. “Esse foi o único contato que tive com ele. Não tenho absolutamente nada com o senhor Cachoeira”, completou.

O líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), disse em entrevista que a visibilidade do escândalo do esquema do contraventor representou um freio de contenção na entrada da organização criminosa no governo do Distrito Federal.

Segundo ele, no entanto, há indícios de que houve uma cooptação de assessores do governador Agnelo Queiroz e que o ex-chefe de gabinete Cláudio Monteiro seria o elo com Cachoeira.

Para Alencar, apesar do processo de cooptação, a força do esquema de Carlinhos Cachoeira no Distrito Federal seria bem inferior ao que se viu no estado de Goiás.

Nesta quarta, a Procuradoria-Geral da República pediu a abertura de inquérito contra os dois governadores no Superior Tribunal de Justiça, com base nas investigações da Operação Monte Carlo, que levou à prisão de Cachoeira, acusado de corrupção e exploração de jogos ilegais.

 

Com informações das agências Câmara e Senado

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