Apesar de conscientização, brasileiro ainda desperdiça muita água, indica pesquisa

Levantamento mostrou que 48% dos entrevistados usam a água sem se preocupar em economizar

O Ibope divulgou recentemente uma pesquisa solicitada pela World Wide Fund for Nature (WWF) na qual revela como o brasileiro controla o uso da água no dia a dia. No total, foram ouvidas 2.002 pessoas em novembro de 2011, em 26 estados.

O levantamento mostrou que 48% dos entrevistados usam a água sem se preocupar em economizar, 30% demora mais de 10 minutos no banho e 29% das residências no Nordeste lidam com constantes casos de seca.

A pesquisa serviu, dentre outros aspectos, para mostrar que o brasileiro, apesar de ter informações suficientes para não desperdiçar água, ainda gasta este recurso natural de forma desordenada. As informações fazem parte do “Programa Água para a Vida”, uma parceria entre o WWF-Brasil e o HSBC.

Outra constatação decorrente do levantamento feito pelo Ibope indica que 68% das pessoas entendem que o desperdício é a principal causa para futuros problemas de abastecimento de água.

Embora nos últimos anos tenha havido uma maior conscientização em relação à preservação do meio ambiente, o número de pessoas que admitem gastar mais que o necessário aumentou. Há cinco anos, o percentual que correspondia a esta parcela da população era de 37%; hoje, o mesmo índice saltou para 48%.

Nas duas enquetes, os entrevistados declararam que a diminuição do tempo gasto no banho é a melhor forma de reduzir o consumo desmedido. Ainda assim, 30% comentaram que levaram mais de 10 minutos embaixo do chuveiro em 2011; enquanto, em 2006, 18% despendiam o mesmo tempo para a atividade. De acordo com especialistas, estima-se que num banho de 10 minutos sejam gastos 100 litros de água.

Outros meios lembrados pelos entrevistados para evitar o desperdício foram: fechar a torneira ao escovar os dentes, consertar vazamentos e não lavar calçadas com mangueiras.

O estudo apresentou também certo desconhecimento dos entrevistados a respeito do consumo de água no País. Para 81% da população, residências e indústrias são os maiores vilões na utilização irresponsável da água. Enquanto isso, apenas 16% estão cientes de que a agricultura é a grande consumidora do recurso no Brasil. A produção agrícola responde por 70% do uso, do insumo e do desperdício.

Cabe ressaltar ainda que a indústria é identificada por uma maioria (77%) como a principal fonte de poluição. Apesar disso, por exemplo, a poluição das águas por uso doméstico, muitas vezes, ultrapassa os níveis da poluição industrial em grandes centros urbanos.

“Esses dados demonstram que a percepção do problema se restringe ao ambiente onde vive a maioria da população do País: as grandes cidades. Não há uma visão integrada com a zona rural, onde estão as principais fontes do recurso, e do caminho que esta percorre até chegar às casas e apartamentos. O problema é visto da “torneira para frente” e poucos o reconhecem da “torneira para trás”, explicou Maria Cecília Wey de Brito, CEO do WWF-Brasil.

A pesquisa destaca também o fato de 67% dos domicílios pesquisados no País enfrentarem algum tipo de falta d’água. No Nordeste, a notícia não é nada animadora. Dados da pesquisa mostram que 29% dos domicílios já são obrigados a lidar com a escassez constante do principal recurso natural disponível no planeta.

Mesmo assim, o consumo médio de água diário, por habitante no país (185 litros), é considerado mediano, próximo do da Comunidade Europeia (200 litros), mas muito distante do de regiões secas como o semiárido brasileiro (abaixo de 100 litros), e partes da África Subsaariana (abaixo de 50 litros).

O levantamento mostrou também que 87% desconhecem a Agência Nacional de Águas (ANA), órgão regulador do recurso, criado pelo governo federal em 2000. Além deste dado, o estudo informa que o desmatamento foi apontado apenas por 1% dos entrevistados como uma das causas do agravamento do problema da água no País.

“O tema de água doce, seus problemas e oportunidades ainda precisam ser esclarecidos ao cidadão brasileiro. A urbanização crescente nas últimas décadas fez com que mais de 80% da população passasse a morar nas cidades. O descompasso entre o reconhecimento do problema e a tomada de atitudes precisa ser compreendido. A visão sobre a água é limitada, assim como a percepção dos seus problemas”, completa Maria Cecília.

 

Com informações do Portal Administradores

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