Estudo da OIT mostra que mulheres trabalham dez dias a mais por ano

A jornada dos homens ficou com uma média de 52,9 horas semanais, enquanto a das mulheres, de 58 horas / Portal Mulher de Fato

Dado do relatório Perfil do Trabalho Decente no Brasil: um Olhar sobre as Unidades da Federação, divulgado nesta quinta-feira (19/07) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) comprovam que, no total, as mulheres trabalham mais horas do que os homens, levando em conta o tempo trabalhado dentro e fora de casa.

A jornada dos homens ficou com uma média de 52,9 horas semanais, enquanto a das mulheres, de 58 horas – o que equivale a 5,1 horas a mais que o sexo oposto. Este tempo extra do sexo feminino corresponde a 20 horas adicionais por mês ou cerca de dez dias a mais por ano.

O relatório da OIT baseou-se nos números da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, que indicam que 90,7% das mulheres que estão empregadas também realizam atividades domésticas. Já entre os homens este percentual cai para 49,7%. No trabalho, as mulheres gastam, em média, algo em torno de 36 horas por semana; os homens, 43,4 horas.

Na opinião do especialista em mercado de trabalho, Jorge Pinho, os dados ainda não traduzem de forma fidedigna a realidade. “Acho modesto esse cálculo. Na nossa cultura, a mulher é de fato mais onerada do que o homem. Embora isso tenha mudado nos últimos anos, ainda cabe à mulher os encargos domésticos e os de mãe. Essa é a parte desvantajosa da igualdade buscada. As mulheres cada vez mais querem avançar na vida profissional e ascender no mercado. Isso tem um ônus, não só um bônus. Existem funções femininas que são insubstituíveis, uma delas é a maternidade”, explicou o professor da Universidade de Brasília (UnB).

Jornada masculina

Segundo o estudo da OIT, as atividades domésticas desempenhadas pelos homens nunca são executadas exclusivamente em casa e, em geral, exigem contatos com outras pessoas e deslocamentos, como fazer compras de supermercado, manutenções esporádicas ou levar os filhos à escola.

“Evidencia-se, portanto, que a massiva incorporação das mulheres ao mercado de trabalho não vem sendo acompanhada de um satisfatório processo de redefinição das relações de gênero com relação à divisão sexual do trabalho, tanto no âmbito da vida privada, quanto no processo de formulação de políticas públicas (…). A incorporação das mulheres ao mercado de trabalho vem ocorrendo de forma expressiva sem que tenha ocorrido uma nova pactuação em relação à responsabilidade pelo trabalho de reprodução social, que continua sendo assumida, exclusiva ou principalmente, pelas mulheres”, concluiu o relatório.

“É importante que haja políticas que facilitem a vida profissional, pessoal e familiar da mulher. Isso tem a ver com políticas públicas e empresariais que deem ênfase à noção de corresponsabilidade, com jornadas flexíveis, creches e acesso a meios de transporte”, destacou a diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo.

 

Fonte: Agência Brasil

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