Justiça diz não a nova investida de advogados para adiar depoimento de Cachoeira

Para a defesa, os depoimentos das testemunhas colhidos desde terça-feira são inconsistentes para esclarecer aspectos fundamentais / Imagem: Agência Senado

Os advogados bem que tentaram, mas não conseguiram suspender o depoimento do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, previsto para ocorrer nesta quarta-feira (25/07) na Justiça Federal em Goiás. O pedido foi negado pelo juiz Alderico Rocha Santos. Para a defesa, os depoimentos das testemunhas colhidos desde terça-feira são inconsistentes para esclarecer aspectos fundamentais, como a relação entre as operações Vegas e Monte Carlo, ambas da Polícia Federal (PF).

A advogada de Cachoeira, Dora Cavalcante, solicitou que seu cliente só fosse ouvido após os depoimentos do agente da PF (Márcio Azevedo) – responsável por investigar o bicheiro – e do delegado Raul Alexandre Marques de Souza – incumbido de liderar a operação Vegas, operação essa que também apurou a exploração de jogos ilegais.

“Em face das insuperáveis dúvidas, é imprescindível a oitiva das testemunhas”, disse a advogada. A acusação se posicionou contrariamente à solicitação.

Ontem, a Justiça já havia se oposto a outra manobra da defesa de Cachoeira e de Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, para que os depoimentos fossem adiados. De acordo com a advogada Dora Cavalcante, as operadoras de telefonia não haviam comunicado ao magistrado quais clientes tiveram seus sigilos quebrados por autoridades policiais durante a operação Monte Carlo.

O defensor de Dadá, Leonardo Gagno, cobrou também a presença dos 81 réus do processo e não apenas os oito integrantes do núcleo da quadrilha.

Entenda o caso Carlinhos Cachoeira

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012 – oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou a amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira.

As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda. Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa.

Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.

 

Com informações do Portal Terra

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