Advogado de Delúbio admite caixa 2

O advogado de Delúbio Soares, Arnaldo Malheiros Filho, reconheceu nesta segunda-feira (06/08), durante julgamento do mensalão no STF que o ex-tesoureiro do PT gerenciou um esquema de caixa 2 no Partido dos Trabalhadores.  “(O dinheiro era transmitido ‘em cash’) porque era ilícito. O PT não podia fazer uma transferência de dinheiro que não tinha entrado nos seus livros. Isso foi assumido.”

Segundo a versão do advogado, a verba era utilizada com a finalidade de financiar campanha eleitoral, e não, comprar apoio político, como afirma a acusação. “Setenta e nove parlamentares prestaram depoimentos nesses autos. Souberam ou ouviram falar de recebimentos de recursos? Dezoito de 79. Informaram que os recursos eram destinados para financiamento de campanha? Todos os 18. Informaram que os recursos eram destinados a compra de votos? Zero.”

Segundo a versão do advogado de Delúbio Soares (na foto), a verba era liberada com a finalidade de financiar campanha eleitoral, e não, comprar apoio político, como afirma a acusação / Agência Estado

Malheiros fez questão de enfatizar que nunca houve relação entre os saques e pagamentos com as votações que tramitavam no Congresso Nacional na ocasião em que o mensalão se tornou público. “Se houve traição, o PT podia se dizer um traído feliz. Porque quanto mais traído era, mais dinheiro mandava? É porque não há relação entre as duas coisas”, avaliou.

O advogado de Delúbio fez questão de dizer que seu cliente nunca se envolveu com os aspectos políticos decorrentes da estratégia petista. “Delúbio nunca se envolveu com essa questão do jogo político. O problema dele era providenciar dinheiro para custear campanhas”, afirmou.

Malheiros diz que a “semente” da ação penal teve início “na construção da chapa Lula-Alencar”. “Os dois, Lula (ex-presidente) e José Alencar (ex-vice), continuaram trabalhando a aliança com o PL (hoje PR). Quando tudo parecia fechado, amarrado, Alencar assinou a ficha do partido. Na última hora ainda houve problema e quase tudo deu errado. José Dirceu e Valdemar Costa Neto chegaram a redigir uma nota em que a aliança estava desfeita”.

De acordo com o advogado do ex-tesoureiro, havia um acordo na campanha de que o PT ficaria com ¾ do montante, enquanto ao PL caberia ¼.  “Na origem de tudo, muito antes de haver um governo Lula, quando ainda se estruturava a chapa que iria disputar a campanha, se forma uma aliança e se estuda a divisão de verbas para custeio de campanhas”, explicou o advogado.

Malheiros alegou que não há provas contra Delúbio – em relação aos crimes que lhe são atribuídos – e que a acusação é “mal imputada”.

“Não se diz o quê? Em troca do quê? Nada disso é detalhado. O que se põe hoje, a pretexto de que a prova é difícil, é o acusado na prova diabólica, na prova do negativo”, afirmou.

O advogado acrescentou que “se toda a benesse dada a um funcionário público fosse corrupção, os ministros do Supremo seriam todos condenados”, citando que os integrantes do STF recebem, por exemplo, livros jurídicos de editoras.

A defesa de Delúbio Soares também rebateu o argumento do Ministério Público de que a votação da reforma tributária foi um dos exemplos de votações que teriam sido feitas com apoio pago pelo PT. “O PL (hoje PR), cuja transferência seria suspeita, tendo três senadores (na bancada), um só votou no primeiro turno e, no segundo turno, votaram dois”, disse.

 

Com informações do Portal Último Segundo

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